Oncologia Clínica Florianópolis

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Entenda o Câncer

O que é, como se forma

O que é câncer

Os seres vivos são feitos de unidades microscópicas chamadas células. Grupos de células similares com mesma função formam um tecido. Por sua vez, grupos de tecidos constituem os órgãos. O câncer é caracterizado por alterações que determinam um crescimento celular desordenado e não controlado pelo organismo, comprometendo tecidos e órgãos. O câncer não é uma doença única e sim um conjunto de mais de 100 doenças diferentes. A vários diferentes tipos de câncer correspondem vários diferentes tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. De uma maneira geral, se o câncer tem início em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem, é chamado de sarcoma.
Além do tipo de célula envolvida no processo, outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são: a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases).

Como surge o câncer

As células que constituem os animais são formadas por três partes: membrana celular, que é a parte mais externa da célula; citoplasma, que constitui o corpo da célula; e núcleo, sua parte mais interna, onde estão os cromossomos. Os cromossomos são estruturas que funcionam como arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das células, suas formas e atividades que vão exercer no organismo. São compostos de unidades menores chamadas genes. Os genes representam as fichas desse arquivo, onde são guardadas as instruções. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa "memória química" - o ácido desoxirribonucléico (DNA). É através do DNA que os cromossomos passam as informações para o funcionamento da célula.
Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos genes. É o que chamamos mutação genética. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades. Essas alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados protooncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os protooncogenes transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais.

Como se comportam as células cancerosas

As células alteradas passam então a se comportar de forma anormal.

  • Multiplicam-se de maneira descontrolada, mais rapidamente do que as células normais do tecido à sua volta, invadindo-o. Geralmente, tem a capacidade de formar novos vasos sanguíneos que as nutrirão e manterão as atividades de crescimento descontrolado. O acúmulo dessas células forma os tumores malignos.
  • Adquirem a capacidade de se desprender do tumor e migrar. Invadem inicialmente os tecidos vizinhos, podendo chegar ao interior de um vaso sanguíneo ou linfático e, através desses, disseminar-se, chegando a órgãos distantes do lugar onde o tumor se iniciou, formando as metástases mais rápido e mais precocemente ou até não o fazem.
  • As células cancerosas são, geralmente, menos especializadas nas suas funções do que as suas correspondentes normais. Conforme as células cancerosas vão substituindo as normais, os tecidos invadidos vão perdendo suas funções. Por exemplo, a invasão dos pulmões gera alterações respiratórias, a invasão do cérebro pode gerar dores de cabeça, convulsões, alterações da consciência, etc.

Como é o Processo de Carcinogênese

O processo de carcinogênese, ou seja, de formação de câncer, em geral se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. São eles:

  1. Estágio de iniciação - É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem a ação de fatores cancerígenos que provocam modificações em alguns de seus genes. Essas células se encontram, portanto, geneticamente alteradas, porém ainda não manifestam aparentemente, as transformações sofridas. Encontram-se "preparadas", ou seja "iniciadas" para a ação de um segundo grupo de fatores que atuará no próximo estágio. Quando um agente carcinogênico é capaz de iniciar o processo de carcinogênese é chamado agente iniciador ou oncoiniciador. Como exemplo de iniciador temos o benzopireno, um dos componentes da fumaça do cigarro e alguns vírus oncogênicos, entre outros.
  2. Estágio de promoção - É o segundo estágio da carciogênese. Nele as células geneticamente alteradas, ou seja, "iniciadas", sofrem multiplicação. Esses fatores, chamados agentes promotores ou oncopromotores, promovem a transformação da célula iniciada em célula maligna, de forma lenta e gradual. Portanto, para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes da alimentação e a exposição de hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas.
  3. Estágio de progressão - É o terceiro e último estágio e se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença. Os fatores que promovem a progressão da carcinogênese são chamados agentes aceleradores ou oncoaceleradores.

O tabaco é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.

Como o organismo se defende

No organismo existem mecanismos de defesa naturais que o protegem das agressões impostas por diferentes agentes que entram em contato com suas células diferentemente estruturadas. Ao longo da vida, são produzidas células alteradas, mas esses mecanismos de defesa possibilitam a interrupção desse processo, com sua eliminação subseqüente. A integridade do sistema imunológico, a capacidade de reparo do DNA danificado por agentes cancerígenos e a ação de enzimas responsáveis pela transformação e eliminação de substâncias cancerígenas introduzidas no corpo são exemplos de mecanismos de defesa. Esses mecanismos, geneticamente pré-determinados, variam de um indivíduo para o outro. Esse fato explica a existência de vários casos de câncer numa mesma família, bem como o porquê de nem todo o fumante desenvolver câncer de pulmão.

Sem dúvida, o sistema imunológico desempenha um papel importante nesse mecanismo de defesa. Ele é constituído por um sistema de células distribuídas numa rede complexa de órgãos, como o fígado, o baço, os gânglios linfáticos, o timo e a medula óssea, e circulando na corrente sanguínea. Esses órgãos são denominados órgãos linfóides e estão relacionados com o crescimento, o desenvolvimento e a distribuição das células especializadas na defesa do corpo contra os ataques de "invasores estranhos". Dentre essas células, os linfócitos desempenham um papel muito importante nas atividades do sistema imune, relacionadas às defesas no processo de carcinogênese.
Cabe aos linfócitos a atividade de atacar as células do corpo infectadas por vírus oncogênicos (capazes de causar câncer) ou as células em transformação maligna, bem como de secretar substâncias chamadas linfocinas. As linfocinas regulam o crescimento e o amadurecimento de outras células e também do próprio sistema imune. Acredita-se que distúrbios em sua produção ou em suas estruturas sejam causas de doenças, principalmente do câncer.
Sem dúvida, a compreensão dos exatos mecanismos de ação do sistema imunológico muito contribuirá para a elucidação de diversos pontos importantes para o entendimento da carcinogênese e, portanto, para novas estratégias de tratamento e de prevenção de câncer.

 
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